domingo, 17 de abril de 2016

Juliana da comunidade de Forquilha, Território do Municipio de caetité,uma agente em ação de Salvaguarda do patrimonio imaterial de sua gente...

  





Juliana, um jovens senhora senhora da comunidade de forquilha, município de Caetité, é  hoje a única pessoa que ainda mantém viva a  arte e memória patrimonial do trançado em  cipós  e palhas  na produção de bens imateriais" bens intangíveis", Salvaguardando  a memória imaterial do nosso território.Juliana, mulher forte guerreira, nordestina  e caetiteense , memória personalizada de varias gerações.
O trançado, originalmente, era feito a partir de um contato muito próximo com a natureza. Desde o simples ato de colher as fibras, respeitando sua lua e sua época correta de colheita, ao uso que era feito do trançado.
No Brasil, existe uma grande variedade de fibras como ouricuri, embira, carnaúba, taquara, babaçu, bananeira, taboa, cipó, etc. Depois de colhidas, essas fibras passavam por um longo processo de tratamento, que era feito com cinzas, e a fibra era batida repetidamente. Hoje, o processo tornou-se diferente, bate-se a fibra no liquidificador e ferve-se com soda cáustica, o que facilita e agiliza o trabalho, mas que também provoca mudanças na maneira de encarar o fazer.
Depois desse tratamento inicial, elas podem ou não ser tingidas, geralmente com corantes naturais que são normalmente encontrados na cor preta, vermelha e em vários amarelos. Hoje em dia, podemos utilizar corantes artificiais.
Então a fibra agora está pronta para o trançado. Esse possui uma infinidade de técnicas e são usados para fazer os mais diversos tipos de objetos como chapéus, esteiras, espanadores, cestas de todas a espécie, redes, miniaturas, etc.
Origem e contextualização:
No Brasil, o trançado surge em todas as tribos indígenas por sua acessibilidade e abundância de matéria prima. É uma área de grande importância histórica e cultural do nosso país. Ele assume formas que narram as lendas dos nossos mitos originais e contam a história das tribos indígenas. O ato de trançar uma fibra está profundamente ligado à trama do destino e à história dos homens. Quem faz o trançado está, de certa forma, criando uma história.
Para os índios, o fato do trançado estar intrinsecamente ligado à sua utilidade não diminui seu valor simbólico e narrativo. Para eles forma (beleza), utilidade e sacralidade estavam intrinsecamente ligados. O sublime estava muito ligado ao cotidiano. A arte e o artefato, em quase todas as épocas, foram a mesma coisa. A separação entre elas é coisa recente inventada pelo homem branco.
Os objetos produzidos por uma cultura podem falar muito sobre ela. A diferença básica na produção de utilitários dos índios para a nossa é que eles faziam tudo com as próprias mãos. A fibra era colhida, tratada com cinzas, surrada, finamente trançada, ornamentada, sempre fibra por fibra. Cada objeto é feito como único, sendo assim, um objeto que exige um tratamento tão trabalhoso e individual só pode culminar impregnado das mãos de quem o trançou, que por sua vez está impregnado de sua cultura. Numa tribo indígena, a noção de coletividade é muito maior e mais significativa do que a que conhecemos em nossa sociedade. Mesmo por uma forte busca da sobrevivência, o indivíduo só é fraco e impotente, ele só se torna um indivíduo na sua totalidade se estiver intrinsecamente ligado a uma coletividade. O pensamento individual e o pensamento coletivo unidos. Uma obra de arte, que normalmente tem seu uso utilitário, nem sempre é feita inteiramente por uma pessoa, mas em nome da tribo e geralmente por um grupo.
Para compreendermos o quanto um utilitário fala de uma cultura vejamos nossos utensílios diários, feitos em série, padronizados e geralmente pouco duráveis, enfim, superficiais. Nossos utilitários também não descreveriam nossa cultura?
O Trançado hoje:
O trançado, e em geral, todo tipo de artesanato, na sua origem era feito apenas como um objeto utilitário, passando mais tarde para objetos decorativos. No começo esses objetos decorativos (seriam arte?) eram feitos individualmente ou em famílias, o que permitia sempre mudanças e uma liberdade de criação, os artesãos não estavam presos a moldes pré determinados. Com a chegada do capitalismo, e tendo este se infiltrado cada vez mais na vida dessas pessoas, o que aconteceu foi que, para que os artesãos pudessem lucrar mais resolveram se organizar. Iam todos para grandes galpões, elegiam um líder. Essas mudanças afetaram profundamente a produção de cestos, pois o que antes era um trabalho autônomo, feito com muito prazer, agora é um trabalho institucionalizado, além disso, os artesãos, passaram apenas a copiar modelos pré determinados pela quantidade de venda e lucro que este ou aquele pode gerar. De artesãos passaram a meros reprodutores.
A cestaria, mesmo sendo ainda feita em grande escala no Brasil, sofreu também muitas mudanças nos seus métodos. Uma arte tão minuciosa não teria como sobreviver intacta tendo que competir com produtos industrializados, que são feitos em série e por grandes empresas, que acabam saindo muito mais baratos e fabricados com muito mais facilidade. Tudo isso fez com que essa arte fosse extremamente desvalorizada.
Trançado na Arte Contemporânea:
É realmente muito difícil encontrar artistas que trabalhem, hoje, com trançado. Encontramos muito mais exemplares no artesanato. Podemos perceber que existe um forte preconceito com esse tipo de trabalho, a busca desesperada dos artistas contemporâneos por um linguagem inovadora muitas vezes não inclui o que chamamos de artes menores, no caso, o trançado, a não ser nos meios específicos, como na Bienal de Lausanne - Suiça, aonde são reunidos representantes de artistas que trabalham com fribra em geral. A recorrência de artistas plásticos que trabalham com trançado é muito mais forte nos anos oitenta para baixo. Na arte contemporânea não existe muito lugar para técnicas tão complexas e arcaicas. É necessário inovar para disputar a incrível briga do mercado de trabalho.
No Brasil, encontramos poucos artistas dessa área, provavelmente existem muitos, mas não são muito divulgados.

Quando não há politica Patrimonial em uma cidade....












  Casa de esquina, frontal térrea  ganhado alturas em sua laterais dando origem aos porões anexo com um pequeno boteco. A casa situa-se  na esquina da praça Deocleciano Teixeira com a Barroquinha, é o único modelo de casa residência antiga ainda existente nessa área , recentemente  um outro casarão de estilo semelhante foi destruído pelo mercado negros de compra dos bens imateriais; madeiramentos, telhas e lajotas, material cobiçado pelos inimigos  do patrimônio  que tem em terras de Minas Gerais o maior consumidor desses produtos retirado desses casarões  , outro inimigo acirrado desse patrimônio é a especulação  imobiliária.
   A casa destaca-se pela extensa faixada, frontal composta de seis janelões  com sua porta  bem centralizada, a lateral composta por cinco janelões,  e um boteco composto com três portas ,sua fachada  apesar do estado de abandono possuía  uma harmoniosa volumetria , sua parte superior encerra com um harmonioso frontal    com algumas bicas  em cobre para escoar águas  da chuva,  A técnica do telhada é magnifica elevada a uma altura ideal faz -se  divisões  em três aguadas: Uma para frente, outro para o fundo e  uma para lateral.
  A parte interna , por não ter acesso  a mesma  atelho ao conhecimento de ser um belo espaço e rico em detalhes arquitetônico de uma época, portanto , portanto uma obra   edificada rica e memoria  e identidades  intangíveis  do saber e fazer  da nossa história.
  Caetité urgentemente precisa tomar com ações reais de politica patrimonial, reavaliar, ressignificar tomar como pertencimentos do seu patrimônio matéria e imaterial, do contrario vamos a cada dia acrescentar  no álbuns do patrimônio dos mortos , as poucas bravas e resistentes memorias patrimoniais do nosso município. enfim tudo poderá em breve ser apenas fotos " In-memoria ", diga de passagem  uma pratica bem comum  frente ao bons  que se calam e descansam ao comodismos de seu individualismo.   

sábado, 16 de abril de 2016



Igreja da Ordem Terceira do Carmo de Cachoeira
Delahes da pintura do forro da nave central,detalhes dos retábulos laterais,retábulos parietais,púlpitos, tribunas e grade do coro
Madeira dourada/policromada
Século XVIII
Cachoeira-BA


Sacristia da Igreja do Convento Franciscano de Cairu
Arcaz em jacarandá com retábulos de pinturas em óleo sobre madeira,e retábulo central em madeira dourada e policromada com imagem de Cristo Crucificado
Século XVII- XVIII
Igreja do Convento de Santo Antonio de Cairu-BA

 Sacristia da Igreja do Convento Franciscano de Cairu
Detalhe das pinturas sobre o arcaz em jacarandá
Cenas bíblicas da vida de Maria em óleo s/madeira recortada,entalhada,dourada e torneada
Anunciação,Nascimento de Cristo,A Fuga para o Egito e a Assunção de Maria aos céus-
Século XVIII-
Sacristia da Igreja do Convento de Santo Antonio de Caiuru-Bahia



Igreja da ordem Terceira de São Francisco de Assis de Salvador
"Árvore genealógica’ da Ordem Franciscana, começando com São Francisco e seus primeiros discípulos, e passando por diversas gerações de frades e freiras, até chegar aos pés de Maria. Sobre a coluna, na base da árvore, está um dos primeiros santos da ordem: Antônio de Lisboa (ou de Pádua)
Pintura em óleo s/tela -Século XVIII
Ordem Terceira de São Francisco de Assis-
Salvador-BA
Créditos fotográficos: Site Patrimônio Espiritual


Sacristia da Catedral da Sé de São Salvador
Teto em madeira dourada e policromada com adornos esculpidos em alto relevo e medalhões com pinturas sacras de Santos da Ordem dos Jesuítas (Século XVII)
Arcaz em jacarandá com retábulos e pinturas a óleo,pinturas parietais com molduras em alto relevo dourada e policromada,piso em mármore de carrara,azulejos portuguêses-(Século XVII)
Altar da sacristia em estilo neo clássico em mármore adaptados posteriormente a obra original (Século XIX)
Catedral Primacial de São Salvador
Salvador-BA

sexta-feira, 15 de abril de 2016













A política da preservação do patrimônio cultural no Brasil, tanto ao nível da União, como dos Estados e dos Municípios, tem percorrido um caminho crescentemente integrador das iniciativas públicas e particulares. Talvez lento, sob determinados pontos de vista, este processo apresenta tendências de desenvolvimento particularmente peculiar em determinados aspectos, diante de um progressivo movimento de educação e de conscientização das comunidades. Amalgamada por intenso caldeamento de culturas, a sociedade brasileira apresenta um plural mosaico de expressões e de manifestações culturais peculiares aos diferentes grupos étnicos que aportaram ao território nacional, nem sempre se ajustando e muitas vezes se contrapondo à milenar cultura pré-cabraliana das nações indígenas.
Os bens de natureza material e imaterial, segundo os dispositivos da Constituição da República Federativa do Brasil, portadores de referência à identidade, à ação e à memória dos grupos formadores da sociedade, constituem o patrimônio cultural, que todos têm o dever de valorizar, difundir e preservar. Protegendo as manifestações dos segmentos que participaram e participam do processo civilizatório nacional, cada um e todos devem assumir o compromisso de zelar e de promover a memória nacional. De imediato ressalta ao exame mais cuidadoso deste tema, a preocupação da Assembléia Nacional Constituinte em enfatizar claramente, quando da promulgação da nova Constituição em 1988, a identificação do caráter dos bens que são conceituados como de natureza cultural.





Retábulo do Altar lateral de Sant'Ana
Madeira dourada e policromada
Século XVIII
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição
Prados-MG

Retábulo do Altar do Calvário
Madeira dourada /policromada
Grupo de imagens em madeira policromada e imagens de roca do século XVIII
Catedral de Nossa Senhora da Assunção
Mariana-MG

Retábulo do Altar lateral de Nossa Senhora do Rosário
Madeira dourada e policromada
Século XVIII
Catedral de Santo Antônio
Diamantina-MG

Detalhe do retábulo do altar da Capela de Nossa Senhora do Ó
Madeira dourada e policromada
Primeira fase do barroco mineiro (cerca de 1710)
Sabará-MG










). A nova política de preservação tem provocado interesse de inúmeros pesquisadores. Os antropólogos, sobretudo, têm olhado para o “patrimônio imaterial” como mais uma possibilidade no mercado de trabalho. O que são os “patrimônios imateriais”? O próprio Iphan (2000a) reconhece que o maior problema no qualificativo “imaterial” é de que, ao enfatizar mais o conhecimento, o processo de criação e o modelo, tendem a desconsiderar as condições materiais de sua existência, não dando conta, portanto, de toda a complexidade do objeto que pretendem definir. Sant’Anna, coordenadora do Grupo de Trabalho do Patrimônio Imaterial (GTPI), considerou a distinção operativa à medida que delineia o conjunto dos bens culturais que não vinha sendo oficialmente reconhecido como patrimônio nacional (Sant’Anna, 2000, p. 13). Debates semânticos à parte, os “patrimônios imateriais” são, segundo Arantes, as “referências das identidades sociais”, são “as práticas e os objetos por meio dos quais os grupos representam, realimentam e modificam a sua identidade e localizam a sua territorialidade” (Arantes, 2001, p. 131). Os patrimônios imateriais são “sentidos atribuídos a suportes tangíveis”, às práticas e aos lugares. Então, eles sempre foram o objeto mais caro dos folcloristas e dos antropólogos. Milhares de páginas já foram escritas sobre a cultura brasileira (imaterial/material). Entretanto, muito pouco se refletiu sobre o que significa inventariar um bem imaterial e, ao inseri-lo em um dos livros de registro, atribuir-lhe o estatuto de “Patrimônio Cultural do Brasil”. Uma diferença há e não é de objeto, mas sim epistemológica. Transforma-se o modo como se “olha” para o objeto. Manifestações culturais (dança, música, poesias, crenças, expressões, técnicas etc.), encaradas por folcloristas, são “folclore”, “fato folclórico”, “manifestação folclórica”. Aos olhos dos antropólogos, são “cultura”. Atualmente, a tendência de ambos é de percebê-los como “patrimônio”; ao menos pelo fato de que, ao serem potencialmente bens patrimoniais, ampliam as possibilidades profissionais de ambos.